Irmãos Caruso
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Gêmeos univitelinos, os irmãos cartunistas Paulo e Chico Caruso nasceram em dezembro de 1949 em São Paulo, com um intervalo de cinco minutos. A obra de ambos os artistas tem especial importância pela sua virtuosidade na caricatura pessoal. Paulo José Hespanha Caruso, o irmão cinco minutos mais velho, iniciou-se profissionalmente no Diário Popular no final da década de 1960, tendo colaborado nos jornais Folha de São Paulo e Movimento. É um cultor da caricatura pessoal, o que faz com virtuosidade. Até a chegada do AI-5, em dezembro de 1968, fazia charges e ilustrações. A partir do ato institucional inibidor, e durante sua vigência, só ilustrações. Na época, garantiu o seu espaço de expressão com a tira Pô, publicada na Folha da Tarde. Entre 1969 e 1976, cursou arquitetura na USP. Foi hippie e chegou a morar com outros 24 numa comunidade. "Era uma favela de luxo", lembra. A vida de arquiteto não o atraiu, passando dedicar-se exclusivamente aos cartuns e à caricatura. Nos anos 1970, Paulo foi para O Pasquim, aparecendo ao lado de mestres como Jaguar e Ivan Lessa - a realização de um sonho de adolescente. Nos anos 1980, voltou à grande imprensa: Veja, IstoÉ, Careta, Senhor e, em 1988, novamente IstoÉ, na qual passou a ser o responsável pela última página da revista. Seus trabalhos também aparecem em publicações especializadas como Circo, Chiclete com Banana e Geraldão. Paulo Caruso é conhecido pelos seus cartuns políticos, além de dedicar-se à composição musical e à produção de espetáculos de música e teatro. Em 1985, durante o Salão Internacional de Humor de Piracicaba, Paulo formou com Chico e outros cartunistas a banda Muda Brasil Tranquedo Jazz Band. Luis Fernando Veríssimo, Cláudio Paiva e Mariano juntaram-se mais tarde ao conjunto. Lançou o CD Pra seu governo, uma seleção musical de suas composições apresentada pelo Conjunto Nacional, sua nova banda, na qual toca piano ao lado de Aroeira e Luis Fernando Veríssimo nos saxofones e Chico Caruso no vocal. Por sua vez, Chico Caruso é cartunista, chargista, caricaturista, músico e humorista. Ambos têm um traço bastante semelhante. Chico começou a publicar os seus desenhos no final da década de 1960, na Folha da Tarde, na qual, das 4h30m às 7h de cada dia, deveria concluir uma charge política, desenhos para o horóscopo, ilustração para uma coluna e três desenhos para o esporte. Depois corria para as aulas no colégio estadual de Vila Madalena.  Em dezembro de 1968, com o AI-5,  acabou-se a charge do jornal, reduzindo seu trabalho a ilustrações. Ingressou no curso de Arquitetura da USP e de lá foi convidado a participar da revista de quadrinhos Balão, junto com Laerte, da Gazeta Mercantil. Então tentou trabalhar num escritório de arquitetura, onde ficou por três dias, e viu que a sua era mesmo desenho a mão livre, indo para o Opinião e para o Movimento. Naquela época dramática na qual Millôr, Jaguar, Ziraldo e Henfil já brilhavam em O Pasquim, Chico Caruso teve contato com os artistas Luís Trimano, Elifas Andreatto e Cássio Loredano. Nos desenhos, nada de legendas ou balões; tudo deveria ser caprichosamente subentendido. Foi convidado por Hélio de Almeida para trabalhar na IstoÉ, após ter conquistado o Salão de Humor de Piracicaba, em 1976. Em setembro de 1978, Chico cobre as férias de Ziraldo no Jornal do Brasil. Em 1982 foi contratado pelo O Globo, de onde não o deixaram sair.